quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O drama de clubes tradicionais

Por Raffael Garcia:



Amigos leitores do blog, venho acompanhando resultados principalmente das quatro divisões do campeonato brasileiro 2011 e esses dias andei me perguntando como é que clubes tradicionais do futebol brasileiro podem chegar ao extremo fracasso e hoje disputarem as últimas divisões do futebol nacional e outras nem a Série D disputar.
Se olharmos os participantes do campeonato Brasileiro da Série A dos anos de 2006 e 2007, veremos a participação de equipes como Santa Cruz, Fortaleza, América-RN e Juventude. Hoje, quatro anos depois notamos o quanto esses quatro clubes fracassaram durante esse período. América-RN, clube Potiguar que mais vezes disputou a Série A, com uma torcida apaixonada que sempre lota os estádios do Rio Grande do Norte é o que tem a situação menos pior se assim podemos dizer. Disputando a Série C do campeonato Brasileiro, o time já está classificado para a fase final e segue sonhando com o acesso. O Fortaleza com 1,5 milhões de torcedores tem a maior torcida do Ceará e uma das maiores do Nordeste, hoje vive um drama, vice lanterna do seu grupo na Série C, corre sérios riscos de cair para a quarta divisão do futebol nacional, sem contar que seu maior rival, Ceará, disputa a Série A pelo segundo ano seguido e até então faz uma campanha sem risco de rebaixamento. Situação pior vive Santa Cruz e Juventude. Acostumados a disputarem a primeira divisão, hoje disputam apenas a quarta e última divisão do campeonato Brasileiro.
O Juventude, time da serra gaúcha leva em sua história um título da Copa do Brasil (1999), além de uma participação na Libertadores da América (2000). Maior torcida do interior do Rio Grande do Sul, o clube de Caxias do Sul vive o drama de disputar a Série D. Outro clube tradicional que vive este mesmo drama é o Santa Cruz de Recife. Com uma das maiores torcidas do Nordeste, o time é recordista de público em todas as divisões do Brasileirão 2011, levando cerca de 40 mil pagantes por partida.
Mas isso não é o fundo do poço para muitos, afinal tem casos piores, casos como de outros clubes de tradição principalmente no passado e que hoje nem a quarta divisão disputam, sendo que algumas nem calendário tem neste segundo semestre.
Quem não se lembra dos bons tempos do América-RJ, o querido Ameriquinha, 7 vezes campeão carioca, 16 participações no Brasileiro da Série A, sendo 4º colocado no ano de 1986, pois é, esse mesmo América de glórias do passado hoje parece viver um drama sem fim.  Campeão da segunda divisão do estadual em 2009, isso mesmo, segunda divisão, voltou em 2010 e neste ano de 2011 caiu novamente para a segundona, sendo que levou uma goleada histórica do Vasco da Gama por 9 a 0. Outro carioca que era osso duro de roer no passado e hoje vive a beira da falência é o Bangú. Vice campeão brasileiro em 1985, o time de moça bonita disputa apenas competições estaduais. Voltando ao nordeste vemos o CSA, maior torcida de Alagoas, vice campeão da copa Conmebol em 1999 e maior campeão alagoano com 37 títulos, hoje nem figura no cenário nacional e por pouco não foi rebaixado para a segunda divisão estadual neste ano.
Agora dos clubes que não disputam nem sequer a série D, o maior dos casos é o do Clube do Remo. Com 1,3 milhões de torcedores, o Leão azul, como assim é conhecido, possui a maior torcida do norte do país e também o maior patrimônio entre os clubes do norte. Eliminado precocemente do campeonato Paraense deste ano, o clube ficou de fora do campeonato brasileiro e assim ficou sem calendário para o segundo semestre.
Eis a dúvida, como clubes assim podem chegar a uma situação dessas? Bom, só pode ter uma explicação, isso se dá pelo fato de pessoas incompetentes estarem no comando de clubes assim, mas aí surge outra dúvida, o porque dirigentes incompetentes chegam ao comando desses clubes? Há exemplos de reestruturação de clubes. O Bragantino, campeão Paulista em 1990 e Vice campeão brasileiro no ano de 1991, chegou a ficar de fora de competições nacionais no começo dos anos 2000 e cair para a segunda divisão do estadual, mas após reestruturação, voltou a elite paulista e subiu para a Série B do Brasileiro. Outro exemplo é o Clube Atlético Goianiense, que a seis anos atrás vivia o drama de disputar a segunda divisão do campeonato Goiano e nenhuma divisão do brasileiro, hoje disputa a Série A do brasileirão e é o atual bicampeão Goiano.
Sair do fundo do poço é possível, porém é preciso ter sob o comando pessoas sérias para administrar clubes tradicionais como esses, pois é uma tristeza vermos times assim praticamente abandonados, enquanto na elite direto figuram times pequenos, sem tradições, sem torcidas e muitas vezes times de empresários.

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